A Pontifícia Academia de Teologia reuniu em Roma, nos dias 6 e 7 de março de 2026, o 13.º Fórum Internacional PATH, dedicado ao tema "Novos horizontes para o pensamento religioso". O encontro procurou colocar em diálogo diferentes perspetivas sobre o papel da reflexão religiosa num contexto marcado por profundas transformações culturais e por crises que atravessam várias dimensões da vida contemporânea. A iniciativa partiu de uma questão que se tornou cada vez mais difícil de evitar: como pode o pensamento religioso continuar a interpretar a realidade quando as categorias culturais, científicas, tecnológicas e sociais que durante séculos enquadraram a experiência humana estão a mudar rapidamente?
A realização do fórum acontece num período particularmente exigente para as tradições religiosas. A secularização de muitas sociedades ocidentais, a pluralidade de convicções, as transformações antropológicas, a revolução tecnológica e a inteligência artificial obrigam a repensar conceitos fundamentais sobre a pessoa, a liberdade, a relação com o outro e o sentido da existência. A estes desafios juntam-se guerras, desigualdades, crise ambiental e uma crescente sensação de incerteza quanto ao futuro. Neste contexto, a reflexão teológica e filosófica é chamada a sair do espaço estritamente académico e a confrontar-se com questões que afetam diretamente a vida das sociedades.
Falar de "novos horizontes" não significa necessariamente abandonar as categorias herdadas. Pelo contrário, um dos desafios colocados ao pensamento religioso é precisamente encontrar formas de dialogar com a contemporaneidade sem reduzir a sua tradição a uma simples adaptação às mudanças culturais. A questão é particularmente importante porque a religião não oferece apenas respostas para problemas particulares: as grandes tradições religiosas contêm conceções abrangentes sobre a realidade, a pessoa humana, o bem, a liberdade e o destino. Repensar o pensamento religioso significa, por isso, perguntar de que modo essas conceções podem continuar a iluminar problemas que não existiam nas épocas em que muitas das suas formulações foram desenvolvidas.
O fórum de Roma colocou assim em evidência uma questão que ultrapassa as fronteiras da teologia: que lugar pode ocupar o pensamento religioso numa sociedade que dispõe de cada vez mais conhecimento e capacidade técnica, mas que continua confrontada com perguntas fundamentais sobre o sentido da existência? A relevância de encontros deste género não depende apenas das conclusões a que chegam os especialistas — depende também da capacidade de levar essas perguntas para fora dos círculos académicos e religiosos e de participar no debate mais amplo sobre aquilo que significa ser humano.
Para acompanhar este tipo de cobertura internacional, veja, por exemplo, a informação disponibilizada pela Sala de Imprensa da Santa Sé e pelo Vatican News.
A procura de "novos horizontes para o pensamento religioso" parece-nos necessária, mas exige uma distinção fundamental. O pensamento religioso não precisa de ser constantemente atualizado para permanecer relevante. Precisa de ser capaz de pensar. Há uma diferença entre dialogar com o presente e submeter-se ao presente. Quando uma tradição procura adaptar-se demasiado rapidamente às categorias culturais dominantes, corre o risco de perder precisamente aquilo que poderia oferecer de diferente. A religião não existe apenas para confirmar aquilo que uma época já pensa sobre si própria. Se tem alguma contribuição própria a dar, essa contribuição começa precisamente pela capacidade de perguntar se os pressupostos do presente são verdadeiros. Para a Nascendum, novos horizontes não deveriam significar simplesmente novas linguagens para transmitir as mesmas respostas, nem novas respostas para satisfazer as expectativas de uma cultura em transformação. Deveriam significar uma capacidade renovada de olhar para a realidade.
Existe, contudo, o perigo contrário: confundir fidelidade com repetição. Uma tradição que se limita a conservar as suas formulações sem voltar a confrontá-las com as perguntas concretas de cada época transforma-se facilmente num património cultural. E uma tradição que deixa de produzir pensamento deixa também de ser capaz de dialogar verdadeiramente com o mundo. É aqui que o desafio do fórum PATH nos parece especialmente importante. A inteligência artificial, a transformação do trabalho, a crise ecológica, as novas formas de relação e a crescente fragmentação cultural não tornam necessariamente obsoletas as grandes perguntas religiosas. Tornam-nas mais urgentes. O que significa ser pessoa quando uma máquina pode imitar aspetos da inteligência humana? O que significa liberdade quando podemos ser permanentemente influenciados por sistemas que conhecem os nossos comportamentos? O que significa criação quando a humanidade adquiriu uma capacidade sem precedentes para transformar a própria natureza? E que responsabilidade temos perante aquilo que ainda não existe, mas que as nossas decisões tornam possível?
É neste ponto que a Nascendum encontra o verdadeiro horizonte do pensamento religioso. Talvez a sua missão não seja recuperar uma influência cultural perdida, nem competir com a ciência ou com a filosofia, mas reabrir a questão do sentido num mundo que se tornou extraordinariamente competente a responder ao "como" e cada vez menos capaz de responder ao "para quê". Se a criação é um processo em que o ser humano participa, como acreditamos, então o nosso tempo exige mais do que capacidade técnica: exige discernimento sobre aquilo que devemos criar. A religião pode contribuir para essa reflexão quando consegue ligar criação, liberdade e responsabilidade; quando recorda que a pessoa não é apenas produtora, consumidora ou utilizadora de tecnologia; e quando se recusa a aceitar que tudo aquilo que podemos fazer seja, por isso mesmo, aquilo que devemos fazer.
Talvez os novos horizontes do pensamento religioso não estejam à nossa frente como territórios que precisamos simplesmente de conquistar. Talvez estejam na capacidade de voltar a olhar para a realidade — e para nós próprios — com perguntas suficientemente profundas para descobrir que tipo de mundo estamos, afinal, a criar.

A carregar comentários…